
Beijing, 19 mai – Cientistas chineses propuseram um projeto espacial para examinar o céu através de um telescópio montado no espaço para procurar planetas habitáveis semelhantes à Terra fora do nosso sistema solar, a cerca de 32 anos-luz da Terra.
Se o projeto, chamado Closeby Habitable Exoplanet Survey (CHES, ou Levantamento de Exoplaneta Habitável Próximo), for realizado, será a primeira missão espacial especialmente projetada para procurar planetas terrestres habitáveis ao redor das estrelas semelhantes ao Sol “nas proximidades”.
A exploração de planetas habitáveis fora do sistema solar é uma das principais fronteiras da pesquisa fundamental em astronomia. A atividade oferecerá pistas cruciais para as questões como “estamos sozinhos no universo?” e “como os planetas podem se tornar o berço da vida?” de acordo com Ji Jianghui, professor de pesquisa do Observatório da Montanha Roxa da Academia Chinesa de Ciências, que é o principal investigador da missão CHES.
Ele explicou que mais de 5 mil exoplanetas foram descobertos e confirmados até agora, incluindo cerca de 50 semelhantes à Terra na zona habitável, mas a maioria deles está a centenas de anos-luz de distância.
“A descoberta dos mundos habitáveis próximos será um grande avanço para a humanidade e também ajudará os humanos a visitarmos esses gêmeos da Terra e expandirmos nosso espaço de vida no futuro”, assinalou Ji.
O CHES observará cerca de 100 estrelas semelhantes ao Sol a 32 anos-luz de distância por meio de uma pesquisa de longo prazo e, esperançosamente, descobrirá cerca de 50 planetas ou super-Terras semelhantes à Terra, planetas que são até cerca de 10 vezes a massa do nosso, em zonas habitáveis ao redor das estrelas semelhantes ao Sol próximas, especialmente planetas que têm semelhanças em tamanho, órbita e habitabilidade com a Terra.
O CHES realizará uma extensa pesquisa sobre o número, verdadeiras massas planetárias e órbitas tridimensionais desses planetas habitáveis, acrescentou Ji.
O Telescópio Espacial Kepler, o Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), juntamente com outros futuros programas espaciais como Planetary Transits and Oscillations of Stars (PLATO) e Atmospheric Remote-sensing Infrared Exoplanet Large-survey (Ariel), buscam e caracterizam planetas com métodos de detecção de trânsito.
Um grande número de exoplanetas foram descobertos por este método. O princípio é que quando os planetas com órbitas edge-on passam na frente das estrelas, o brilho das estrelas é periodicamente diminuído devido à revolução dos planetas.
O trânsito requer que o planeta se mova na frente de sua estrela e seja observado pela Terra ao mesmo tempo. No entanto, a probabilidade de tal cenário é muito baixa e a descoberta de candidatos planetários precisará de mais confirmação por outros métodos. O trânsito só obtém o raio dos planetas, mas não pode medir diretamente a massa.
Baseado na astrometria relativa de ultra-alta precisão realizada no espaço, o CHES irá medir precisamente a separação angular de nível de micro-arcosegundo de uma estrela-alvo em relação a seis a oito estrelas de referência padrão.
Esta mudança sutil pode ser usada para calcular a pequena oscilação da estrela-alvo causada pelas perturbações gravitacionais de seu planeta giratório e detectar esses planetas terrestres na zona habitável com massas reais.
“A astrometria é um meio clássico em observação astronômica, mas empregá-la para detectar planetas habitáveis semelhantes à Terra é uma inovação tecnológica original. Precisamos alcançar uma precisão sem precedentes na medição em nível de micro-arcosegundo, o que equivale a distinguir uma moeda na Lua a partir da Terra”, explicou Ji.
“Nossa detecção astrométrica não colocará restrições no plano orbital do planeta. Pode detectar planetas em qualquer órbita e pode medir diretamente a massa dos planetas habitáveis, para que possa obter um levantamento abrangente de planetas que orbitam estrelas semelhantes ao Sol nas proximidades.”
“Esses estudos responderão, no final das contas, a perguntas como ‘nosso sistema solar é especial?’ ou ‘somos únicos no universo?’ e fornecerão uma compreensão mais profunda da formação e evolução da Terra e do sistema solar, bem como uma imagem completa da natureza e origem da vida, de modo a entender melhor a nós mesmos.”
De acordo com o projeto, um telescópio óptico com abertura de 1,2 metro e com alta qualidade de imagem, alta estabilidade e baixa distorção será colocado em uma órbita halo no segundo ponto Lagrangiano (L2) do sistema Sol-Terra e manterá um período de operação estável de pelo menos cinco anos nessa órbita. O telescópio explorará aproximadamente 100 estrelas semelhantes ao Sol, com cada uma delas sendo observada pelo menos 50 vezes.
A órbita halo no ponto L2 do Sol-Terra é menos afetada pela gravidade da Terra e o ambiente de radiação térmica é relativamente estável. O satélite pode funcionar por muito tempo com pouco consumo de combustível, o que é muito adequado para satélites astronômicos realizarem observação contínua.
Além de detectar planetas habitáveis, a missão CHES também contribuirá para pesquisas científicas de ponta, como matéria escura e buracos negros.
Atualmente, uma equipe composta por vários institutos de pesquisa chineses e apoiada pela Academia Chinesa de Ciências realizou investigações preliminares. Astrônomos de todo o mundo serão convidados a participar da cooperação em pesquisa.
(251227) -- SHENZHEN, Dec. 27, 2025 (Xinhua) -- A robot distributes gifts to visitors during a robot skills competition in Shenzhen, south China's Guangdong Province, Dec. 27, 2025. The robot skills competition kicked off here on Friday and will last till Dec. 30, 2025. Over 100 teams participate in robot application matches ranging from industrial manufacturing, healthcare to emergency rescue scenarios. (Xinhua/Wang Feng)