
Cidade do México – O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, visitou a América do Sul entre 8 e 10 de setembro, abordando principalmente questões de drogas, criminalidade e segurança. No entanto, ele deixou para trás uma agenda de alcance muito mais amplo.
Ao passar pela Colômbia, Equador e Peru, a viagem de Rubio tratou de minerais críticos, infraestrutura e laços políticos mais estreitos, paralelamente a uma crescente “atuação de segurança” dos EUA na região.
Para analistas, a visita aos três países ofereceu um panorama revelador da estratégia mais ampla de Washington: utilizar a cooperação em segurança para aprofundar sua influência em um momento de mudanças políticas em toda a América do Sul.
O combate ao crime organizado foi o tema mais visível da viagem de Rubio.
Na Colômbia, no Equador e no Peru, ele defendeu uma cooperação mais estreita contra o tráfico de drogas e grupos que Washington classifica como “narcoterroristas”.
Fernando Romero Wimer, professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, no Brasil, disse que a própria terminologia utilizada é relevante.
“A militarização já está em curso”, disse ele, argumentando que redefinir o tráfico de drogas como terrorismo poderia ampliar o espaço jurídico e operacional para o envolvimento dos EUA na região.
Cristina Pecequilo, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo, observou que essa abordagem tem precedentes claros, desde o Plano Colômbia até a Iniciativa Mérida.
A cooperação em segurança também pode criar poder de pressão para além do combate ao crime, disse Luis Ricardo Delgado, professor da Universidade de Carabobo, na Venezuela.
“A cooperação em segurança não gera desenvolvimento automaticamente”, disse ele. “O que ela gera é dependência estratégica. E essa dependência, por sua vez, condiciona as decisões soberanas de cada país”.
A agenda de Rubio também abrangeu setores de importância estratégica a longo prazo. Na Colômbia, por exemplo, os dois lados discutiram a cooperação em minerais estratégicos.
“Os Estados Unidos não se importam se países emergentes continuarem vendendo eletrodomésticos, roupas, brinquedos ou até mesmo veículos na região”, disse Delgado. “O foco deles está em infraestrutura crítica, tecnologias de ponta e recursos naturais estratégicos”.
Ele descreveu essa abordagem como parte da “Doutrina Donroe”, uma versão modificada da Doutrina Monroe promovida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para buscar a primazia americana no Hemisfério Ocidental.
Romero Wimer apresentou um argumento semelhante, dizendo que a cooperação em segurança também pode se tornar uma ferramenta para exercer pressão sobre portos, infraestrutura e outros projetos estratégicos.