
Istambul – No sábado, a Turquia inaugurou um novo complexo museológico dentro do histórico Palácio de Topkapi, em Istambul, onde milhares de peças de porcelana chinesa estão em exposição, refletindo séculos de intercâmbios culturais entre a China e a Turquia.
Durante a cerimônia de inauguração, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, destacou o excepcional patrimônio histórico, cultural, arquitetônico e artístico do país, observando que esses artefatos refletem uma compreensão de civilização moldada ao longo de séculos.
Antes da abertura, Yasin Yildiz, presidente da instituição Palácios Nacionais, ressaltou a importância da coleção de porcelana chinesa do Palácio de Topkapi durante uma coletiva de imprensa.
Restaurado e transformado em um bairro histórico, com ruas e praças próprias, o antigo complexo da casa da moeda do palácio abriga agora o Museu da Porcelana, que exibe 5.300 peças, incluindo 3.500 itens de porcelana chinesa, em 19 salas.
Yildiz enfatizou que o Palácio de Topkapi abriga uma das coleções de cerâmica chinesa mais importantes do mundo, observando que a longa ausência dessas peças nas exposições havia criado grande expectativa entre o público. “Estamos, finalmente, atendendo a essa expectativa”, disse ele.
A inauguração despertou um interesse considerável nos meios acadêmicos e arqueológicos.
“Não há dúvida de que esta é uma das coleções de porcelana mais importantes do mundo, na qual talvez tenhamos a oportunidade de ver os exemplares mais raros de porcelana chinesa”, disse à agência Xinhua, Turan Takaoglu, pesquisador do Departamento de Arqueologia da Universidade Canakkale Onsekiz Mart.
Remontando ao século 13, as porcelanas chinesas, especialmente as provenientes de Jingdezhen, chegaram à corte otomana percorrendo a antiga Rota da Seda. A profunda admiração dos sultões por essas peças requintadas não apenas as transformou em um símbolo de prestígio, como também inspirou o florescimento das artes cerâmicas tradicionais otomanas, criando uma síntese cultural única.
Para Ke Guoxing, gerente-geral da loja oficial de porcelanas de Jingdezhen em Istambul, a exposição representa um marco no intercâmbio cultural.
“Durante muito tempo, essas coleções permaneceram, em sua maior parte, guardadas em depósitos, com acesso bastante restrito”, disse Ke. “Agora, a exibição centralizada de 3.500 peças de porcelana chinesa oferece a um público mais amplo a oportunidade de conhecer essa história de perto”.
Ele destacou o imenso valor acadêmico da coleção, especialmente no que diz respeito às porcelanas azuis e brancas das dinastias Yuan e Ming.
Muitas peças da era Yuan, oriundas de Jingdezhen, foram produzidas sob encomenda para o mundo islâmico. Elas apresentam grandes formas e padrões decorativos densos, características raramente encontradas na própria China, observou Ke.
“Essas coleções constituem evidências físicas insubstituíveis para o estudo da exportação de porcelana chinesa e da fusão de estéticas”, acrescentou ele, expressando a expectativa de que a exposição ao público possa favorecer pesquisas conjuntas entre estudiosos chineses e de outras partes do mundo.
Além da porcelana, o vasto complexo da antiga casa da moeda abriga outros quatro museus, dedicados à caligrafia, às armas, aos mapas e à história da cunhagem de moedas.
Um visitante observa peças de porcelana chinesa no recém-inaugurado Museu da Porcelana, dentro do Palácio de Topkapi, em Istambul, Turquia, em 25 de outubro de 2026.
No sábado, a Turquia inaugurou um novo complexo museológico dentro do histórico Palácio de Topkapi, em Istambul, onde milhares de peças de porcelana chinesa estão em exposição, refletindo séculos de intercâmbios culturais entre a China e a Turquia.

Restaurado e transformado em um bairro histórico, com ruas e praças próprias, o antigo complexo da casa da moeda do palácio abriga agora o Museu da Porcelana, que exibe 5.300 peças, incluindo 3.500 itens de porcelana chinesa, em 19 salas.