

Por Xin Ping
A Cúpula da Organização de Cooperação de Shanghai (OCS) foi concluída em 1º de setembro em Bishkek, capital do Quirguistão. Os países da OCS realizaram uma discussão substantiva e produtiva sobre a próxima fase de desenvolvimento da organização, resultando em mais de 30 documentos de cooperação que abrangem desde transporte, logística e biotecnologia até inteligência artificial, energia e controle de drogas. Esses resultados marcam um progresso tangível dos membros da OCS na implementação da estratégia de desenvolvimento de 10 anos estabelecida na Cúpula de Tianjin.
DE TIANJIN A BISHKEK
A China tem desempenhado um papel central na trajetória da OCS: não apenas como membro fundador, mas como um contribuinte fundamental para a evolução da organização.
No ano passado, na Cúpula de Tianjin, um marco no crescimento da OCS, a China e outros Estados-membros elaboraram conjuntamente um plano estratégico para a próxima década da organização, inaugurando uma nova etapa de desenvolvimento de alta qualidade.
A cúpula da OCS deste ano ocorre em um momento em que o mundo entra em um novo período de turbulência e transformação, e a governança global se encontra, mais uma vez, em um dilema crítico. À altura do desafio e visando promover um desenvolvimento de maior qualidade para a organização, a China pediu aos países da OCS que assumissem a responsabilidade histórica e conduzissem o desenvolvimento humano rumo a um futuro promissor, mantendo o compromisso de priorizar o desenvolvimento e abrir perspectivas para a prosperidade compartilhada; tendo a segurança como objetivo fundamental e promovendo um ambiente de segurança comum; colocando as pessoas em primeiro lugar e consolidando as bases para uma amizade duradoura; promovendo o diálogo e a consulta, e buscando uma governança mais equitativa e ordenada.
DA VISÃO À AÇÃO
Ser arquiteta é apenas metade do trabalho. A China também provou ser uma realizadora.
No ano desde a Cúpula de Tianjin, as iniciativas da China evoluíram do papel para projetos reais. Foram lançadas sete plataformas de cooperação, abrangendo indústria verde, economia digital, inovação científica e tecnológica, energia, ensino superior, educação profissional e técnica, e inteligência artificial, gerando mais de 160 projetos. Cerca de três quartos da expansão planejada de 10 milhões de quilowatts em energia solar e eólica foram implementados, enquanto mais de dois terços dos 100 projetos de subsistência “pequenos e belos” foram aprovados. Além disso, o plano de ação para uma cooperação econômica e comercial de alta qualidade continuou apoiando o comércio crescente entre a China e os demais países da OCS.
Em 1º de setembro, a China divulgou a Lista de Realizações das Ações da China para Promover o Desenvolvimento da Organização de Cooperação de Shanghai (2025-2026), reunindo mais de 150 documentos, eventos e projetos iniciados pela China desde a Cúpula de Tianjin. As contribuições da China para o avanço da OCS estão visíveis para todos.
Este ano, a China levou a Bishkek não apenas uma visão para o caminho a seguir, mas também mais iniciativas e projetos em apoio ao desenvolvimento da OCS. Entre eles estão o estabelecimento de um centro de cooperação econômica portuária China-OCS em Tianjin e de um centro de cooperação em educação básica em Beijing; o lançamento de um centro internacional de cooperação em aplicações de IA e de 100 projetos de cooperação tecnológica com outros países da OCS; e a formação de mais profissionais da indústria verde por meio da cooperação China-OCS, entre outras ações. Essas iniciativas darão um novo impulso ao desenvolvimento da organização.
É aqui que o papel da China na OCS se torna particularmente visível. Embora as cúpulas definam a direção, a cooperação regional é, em última análise, avaliada pelo que acontece depois que as câmeras vão embora.
Em retrospecto, a OCS tem sido um sucesso impressionante: o que começou em 2001 como um grupo de seis países trabalhando juntos para construir confiança militar ao longo de suas fronteiras e combater o terrorismo, o separatismo e o extremismo, se transformou em uma família de 27 países que se estende pela Ásia, Europa e outras regiões, representando quase metade da população mundial e um agregado econômico próximo a 30 trilhões de dólares americanos, e cobrindo áreas de cooperação que vão da política e segurança até intercâmbios econômicos e interpessoais.
A produtiva Cúpula de Bishkek comprovou, mais uma vez, que a OCS é um pilar firme da paz, uma força responsável pela abertura e uma âncora de estabilidade em um mundo turbulento. À medida que a OCS inicia sua jornada para o próximo quarto de século, a China continuará contribuindo com sua sabedoria e força para o desenvolvimento de maior qualidade da organização, conferindo um impulso renovado e sustentado à paz, ao desenvolvimento e à prosperidade compartilhada na região.
Nota da edição: O autor é comentarista de assuntos internacionais e escreve regularmente para a Agência de Notícias Xinhua, o Global Times, o China Daily, a CGTN, entre outros. E-mail para contato direto: xinping604@gmail.com
As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente as posições da Agência de Notícias Xinhua.