

Rio de Janeiro – A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) alertou nesta terça-feira que as novas tarifas que os Estados Unidos estão considerando impor às importações brasileiras podem reduzir a competitividade dos produtos do país e favorecer fornecedores de outras nações no mercado americano.
Segundo a entidade, a diferença tarifária pode comprometer a posição do Brasil como fornecedor de matérias-primas e insumos para a indústria americana, elevando o custo dos produtos brasileiros em comparação com os concorrentes internacionais.
A FIEMG indicou que, caso as medidas em análise sejam confirmadas, alguns produtos poderão sofrer um acréscimo de até 37,5%, resultante da combinação de uma tarifa de 25% com outra de 12,5% aplicada a determinados bens.
A entidade destacou que os setores mais afetados são matérias-primas, insumos agroindustriais, produtos de madeira e alguns bens industriais. Entre as matérias-primas afetadas está o ferro gusa, que compete no mercado americano com fornecedores de países como Ucrânia, Índia, Canadá, África do Sul e Indonésia.
Veronica Ribeiro Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro de Negócios Internacionais da FIEMG, afirmou que a principal preocupação não é apenas o nível das tarifas, mas também o tratamento desigual entre países que competem pelos mesmos mercados.
Segundo a especialista, essa desvantagem pode influenciar diretamente as decisões de compra dos importadores americanos, pressionar os exportadores brasileiros a baixar os preços e colocar em risco acordos comerciais estratégicos.
Com a decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos esperada para esta quarta-feira, a FIEMG defendeu a intensificação das negociações entre os dois países, a ampliação da lista de exceções e o estabelecimento de regras claras para a aplicação das novas tarifas.