

Com o tema “Do passado ao contemporâneo digital: Brasil e Portugal, II Festa Literária de Pernambuco será
realizada de 4 a 6 de novembro em uma área de mil metros quadrados, no Rio Mar Shopping.
São inúmeros os laços entre Brasil e Portugal. E há dois Josés que reforçam essa união por meio de suas obras: José Saramago e José Borges. O artista das palavras, cujo centenário é este ano, e o mestre das xilogravuras que ilustram uma de suas obras são os homenageados na II Festa Literária de Pernambuco (Flipe), cujo tema será “Do passado ao contemporâneo digital: Brasil e Portugal. Durante três dias, de 4 a 6 de novembro, grandes nomes da literatura nacional e internacional estarão falando sobre o mercado editorial e suas novas plataformas. A Flipe integra uma rede de feiras literárias em Portugal, entre elas a I Feira do Livro de Benfica e o II Festival Conexões Atlânticas. A coletiva para divulgação da programação será na próxima terça-feira (25), às 10h, no Gabinete Português de Leitura.
Acontecerá em uma área de mil mil metros quadrados, no piso L3 do Rio Mar Shopping, no bairro do Pina, em Recife, com 30 estandes com área de 9m² a 108² para editoras, livrarias e distribuidoras de todo o país. A entrada é gratuita e as inscrições para participar das palestras, cursos e oficinas estarão disponíveis em breve pelo site https://flipe.art.br/. Realizada pela Inova d.A.a.Z, sob coordenação da produtora cultural Patrícia Guedes, a Festa Literária tem curadoria geral assinada pelo jornalista Múcio Aguiar e Literária pelo escritor Cássio Cavalcante. Já a
curadoria das programações infanto juvenil e de Inovação e Tecnologia são assinadas por Bia Medeiros e Patrícia Guedes, respectivamente.
A Flipe conta com o apoio institucional de diversas instituições. Além-mar, da Fundação Saramago, do Instituto Camões e da Associação Portuguesa de Imprensa. No Estado, do Gabinete Português de Leitura, da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), da Academia Pernambucana de Letras, da União Brasileira de Escritores – Seção de Pernambuco, do Hospital Português, do Consulado de Portugal no Recife, da Associação de Imprensa de Pernambuco (AIP) e do Instituto Cultural Maestro Leonildo.
Espaços
Com uma programação diversa, os ambientes da Flipe apresentam painéis para todos os públicos. No Flipe Geek, as bancadas são compostas por ilustradores, cosplayers e também conhecedores da área audiovisual, sendo uma das mesas da programação ministrada pelo diretor do longa-metragem “Recife Assombrado” (2019), Adriano Portela. O Espaço de Inovação e Tecnologia promove painéis sobre NFTs, metaverso, Web 3.0, nuvem e monetização através da criptoarte, destaque para a palestra de Carlos Sampaio, com mediação de Patrícia Guedes, sobre blockchain e sua relação com a literatura e as artes.
Com 50 lugares, o Espaço Literário será destinado a apresentações culturais e encontros entre escritores portugueses e brasileiros, entre esses o painel “Literatura fantástica”, no qual o escritor e vencedor do Grande Prémio Adamastor de Literatura Fantástica Portuguesa, Pedro Cipriano, se junta ao também escritor, Nuno Valente, para um papo mediado por Camilla Inojosa. No espaço Meio Ambiente, a Flipe promove em sua programação o painel “Pernambuco, Jardim de Baobás”, que explica a vasta pesquisa realizada no Estado pelo jornalista Marcus Prado e exposta na mostra “Baobás – símbolos de resistência e ancestralidade”, com curadoria do escritor e membro da
Academia Pernambucana de Letras (APL), Antônio Campos. Por fim , o Espaço Infância contará com uma programação reservada a criançada, onde ocorrerão contações de histórias e apresentações de grupos infantis para o público geral, como a do grupo musical Bandalelê e da dupla Canta Coquinhos.
“A Flipe vem nesta segunda edição com uma proposta híbrida e repleta de novidades no setor tecnológico e de inovação”, atesta Patrícia Guedes, diretora da Inova d.A.a.Z. O fortalecimento da literatura, o incentivo à leitura e a difusão do livro seja impresso ou digital são as metas elencadas pela produtora para a festa literária. Quanto ao local definido para acolher o evento, a produtora ressalta que o Riomar Shopping proporciona conforto, segurança e comodidade a todos os públicos. Tem amplo estacionamento, com 7,5 mil vagas.
Exposições
Outras atrações importantes da Flipe são as exposições sobre José Saramago e sobre baobás. A mostra “Saramago sem ponto final” reúne 12 obras que marcaram a trajetória do escritor português, com sinopses das publicações. Entre os livros estão ‘O evangelho segundo Jesus Cristo”, “História do cerco em Lisboa” , “Evangelho segundo Jesus Cristo” e “O lagarto”. A curadoria é de Karla Veloso. Já a mostra “Baobás – símbolos de resistência e ancestralidade”, que se insere na programação de meio ambiente, expõe 36 imagens, um recorte das mais de mil fotografias feitas pelo jornalista Marcus Prado durante pesquisa realizada do litoral ao sertão pernambucano. A curadoria é do escritor Antônio Campos e de Marcus Prado.
Homenageados
Saramago e J.Borges têm mais em comum que o primeiro nome José e a verve artística. Em 1972, José Saramago (1922-2010) escreveu um conto sobre um lagarto gigante que surgiu no tradicional bairro do Chiado, em Lisboa. Um evento que mobilizou Bombeiros e até o Exército para evacuar o bairro. A história é tão inusitada que poderia fazer parte do imaginário popular nordestino, ou seja, da vida do outro José, o Borges. Curador da Festa Literária, Múcio Aguiar comenta sobre a escolha dos homenageados.
“Saramago é o único escritor de língua portuguesa agraciado com o Nobel de Literatura. Ao comemorarmos o seu centenário festejamos nossa língua, nossa cultura e nossa identidade”, observa. Sobre J. Borges, ele destaca que ao homenageá-lo, a Flipe reconhece todos os artistas/mestres pernambucanos. “O lirismo e a criatividade do povo nordestino é visto nas obras de J.Borges”, afirma.
O conto, que completa 50 anos de inscrito em 2022, foi publicado originalmente no livro “A Bagagem do Viajante” (1973). A edição lançada em 2016 ganhou as ilustrações do artista pernambucano. J. Borges ganhou fama internacional ao produzir as gravuras do livro Palavras Andantes (1993), do uruguaio Eduardo Galeano e Saramago já colecionava algumas gravuras suas. Nesta época, foi denominado de “gênio da arte popular” pelo jornal norte-americano New York Times.