

Berlim – A inovação global em eletrônicos de consumo está sendo cada vez mais impulsionada pela China, disse Leif Lindner, CEO da IFA Management GmbH, em entrevista à Xinhua.
“Há vinte anos, a maior parte da inovação vinha de empresas japonesas”, disse Lindner na IFA Berlin, uma das maiores feiras comerciais do mundo voltada para eletrônicos de consumo e eletrodomésticos. Agora, no entanto, Lindner ressaltou que é a China que está à frente desse movimento.
Lindner, que possui quase 30 anos de experiência no setor de eletrônicos de consumo e trabalhou anteriormente para a Sony e a Samsung Electronics, também teve contato direto com a indústria chinesa do setor por meio de suas muitas visitas ao país.
Ele visitou empresas chinesas como Xiaomi, Midea, DJI e BYD, conhecendo de perto suas atividades de pesquisa e desenvolvimento, produtos e estratégias de mercado. Essas experiências, segundo ele, proporcionaram uma visão detalhada de como as empresas chinesas evoluíram para além de seus pontos fortes tradicionais em manufatura e competitividade de custos.
“As empresas chinesas são impressionantes em termos de seu envolvimento e capacidades”, disse Lindner.
A crescente influência dessas empresas é visível na IFA. Cerca de 900 dos aproximadamente 2.000 expositores da feira deste ano são da China, ocupando cerca de 38% do espaço de exposição. A Xiaomi faz sua estreia na IFA este ano, enquanto empresas como Dreame e Haier apresentam novos produtos e tecnologias.
A dimensão da presença chinesa gerou um debate na Alemanha sobre se a IFA estaria se tornando “chinesa”. No entanto, Lindner vê essa tendência de outra forma: a mudança na composição dos expositores reflete transformações na indústria global de eletrônicos de consumo, e não uma mudança na orientação da feira.
“Nossa missão é trazer para a feira a melhor inovação disponível atualmente no mercado global”, disse ele.
Segundo Lindner, uma das vantagens mais claras das empresas chinesas é a velocidade com que transformam ideias em produtos.
“O tempo que decorre desde o surgimento da ideia de um produto até sua execução e disponibilização é o mais curto que vemos atualmente na economia mundial”, disse ele. “Ninguém mais consegue acompanhar esse ritmo”.
Essa vantagem é particularmente evidente na robótica, área em que Lindner considera as empresas chinesas líderes, citando fabricantes de robôs humanoides como a Unitree e a Agibot.
“O que mais me impressiona é o cenário da robótica, pois as empresas chinesas estão reunindo tudo o que a IA é capaz de fazer neste momento”, disse ele.
Uma área dedicada a demonstrações dinâmicas de robôs foi introduzida este ano, com robôs de empresas chinesas entre as principais atrações. As demonstrações da Unitree e da Agibot atraíram multidões tão grandes que, por vezes, o local precisou ser fechado temporariamente.
Além do espetáculo, segundo ele, as demonstrações ofereceram ao público europeu a oportunidade de ver de perto tecnologias emergentes e de compreender como a inteligência nos próximos dois ou três anos.
O cenário de inovação em transformação também está diluindo as fronteiras entre eletrônicos de consumo, casas inteligentes e mobilidade, com empresas como Xiaomi e Dreame incorporando automóveis aos seus ecossistemas mais amplos.

Pessoas observam um Xiaomi SU7 na área de exposição da Xiaomi na IFA Berlin 2026, em Berlim, Alemanha, em 5 de setembro de 2026. (Xinhua/Zhang Haofu)
“Praticamente todos os fabricantes de eletrônicos de consumo estão incluindo um carro em seu ecossistema”, disse Lindner, acrescentando que os veículos elétricos passariam a integrar o crescente segmento de mobilidade da IFA.
Na visão de Lindner, a presença crescente de empresas chinesas, em última análise, reforça, em vez de alterar, o papel da IFA. À medida que as empresas da China continuam ampliando as fronteiras da tecnologia e da inovação de produtos, Lindner espera ver uma presença chinesa ainda maior na IFA nos próximos anos.