

Beijing – Enquanto o mercado global de commodities agrícolas permanece concentrado na soja e no milho, uma cultura antes vista por alguns produtores brasileiros como “predadora de solo” está ganhando espaço no país.
Segundo dados atualizados, o sorgo se tornou o cereal de crescimento mais acelerado do Brasil, com aumento de produção de impressionantes 380% nos últimos dez anos — saltando de 1 milhão de toneladas na safra 2015/16 para uma projeção de 5 milhões em 2024/25. Com isso, o Brasil se consolida como o terceiro maior produtor mundial de sorgo, e essa ascensão pode ser apenas o começo.
Em julho, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, liderou uma delegação brasileira na 16ª Conferência Internacional de Cereais e Óleos da China, realizada em Guilin, Região Autônoma da Etnia Zhuang de Guangxi, sul da China. Na ocasião, Bertolini anunciou que o Brasil busca atingir a marca de 10 milhões de toneladas de sorgo até 2030 e o objetivo principal da missão foi abrir caminhos para ampliar a exportação de sorgo brasileiro ao mercado chinês.
Em novembro de 2024, a China e o Brasil assinaram 38 acordos de cooperação. Nesse contexto, a China aprovou oficialmente a importação de diversos produtos agrícolas brasileiros, incluindo o sorgo.
A China é hoje o maior consumidor mundial de sorgo. Dados de 2025 confirmam que o país lidera as importações globais. Na China, o sorgo tem aplicações que vão muito além da alimentação: ele é matéria-prima essencial nas indústrias de ração animal, bebidas alcoólicas, bioenergia e alimentos funcionais.
Embora a maior parte do sorgo seja tradicionalmente destinada à produção de ração, para muitos chineses a cultura remete imediatamente ao sabor marcante do baijiu — tradicional bebida alcoólica chinesa. Rico em taninos e proteínas, o sorgo é considerado há séculos o ingrediente ideal para destilar esse tipo de aguardente.
Nos tempos atuais, o sorgo vem ganhando protagonismo no setor de energia sustentável da China. Em comparação com a cana-de-açúcar, ele oferece 18% mais eficiência na conversão para etanol e consome 40% menos água, tornando-se uma alternativa viável para a produção de biocombustíveis.
“Atualmente, no Brasil, duas usinas já produzem etanol exclusivamente a partir do sorgo, o que mostra o avanço desse setor”, afirmou Bertolini durante o evento na China. “Além disso, com o DDG, um subproduto derivado do farelo proteico de destilaria, também atendemos o mercado de nutrição animal, e agora temos a oportunidade de exportar para a China, que abriu esse mercado em maio de 2025”.
O valor do sorgo vai além disso. Com a crescente conscientização sobre dietas saudáveis na China, esse grão — rico em amido resistente e naturalmente isento de glúten — ganha a atenção do público. A indústria alimentícia moderna, por meio de processos inovadores, tem incorporado o sorgo em alimentos processados como massas e pães, melhorando seu valor nutricional sem comprometer o sabor.
Também em julho, o escritório do Serviço Agrícola Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos em Brasília (USDA FAS Brasília) divulgou um relatório setorial intitulado “Cultivando o Crescimento: O Estado da Produção de Sorgo no Brasil”, apresentando uma análise abrangente sobre aspectos-chave como a produção nacional de sorgo, vantagens do cultivo, melhoramento genético, usos diversificados, perspectivas de desenvolvimento e os desafios do setor.
Apesar de o Brasil possuir um grande potencial para o cultivo de sorgo em longo prazo em todas as regiões, segundo o relatório do USDA, os atuais gargalos em infraestrutura e logística representam desafios significativos, demandando investimentos substanciais. Esses obstáculos podem ser determinantes para a dimensão futura da cadeia produtiva do sorgo no Brasil.
“O Brasil precisa investir em infraestrutura, como armazenagem e adequação de portos. Hoje, grande parte da exportação é feita por container, o que limita nosso potencial. Precisamos melhorar isso para ampliar nossa presença no mercado global de sorgo”, explicou Bertolini na conferência em Guilin.
(251125) -- WUHU, Nov. 25, 2025 (Xinhua) -- Industrial robots work on production lines at a smart factory of Chinese Automaker Chery in Wuhu, east China's Anhui Province, Sept. 12, 2024. Wuhu in east China's Anhui Province is a key manufacturing hub, with its manufacturing sector covering 37 out of the country's 41 major industrial categories. Its signature industries include automobiles, green energy, and smart household appliances, each of which generates an annual output value reaching 100 billion yuan (about 14 billion U.S. dollars). The city has also seen a rapid rise in the robot industry in recent years thanks to the development of AI technologies and the city's solid industrial foundation. A state-level robot industry cluster is taking shape here, with more than 300 enterprises contributing to a comprehensive industrial chain worth 40 billion yuan (about 563 million U.S. dollars) in 2024. (Xinhua/Liu Junxi)