

Beijing – Em uma área de exposição, cerca de 10 robôs humanoides trabalhavam em um fluxo de trabalho coordenado, com alguns levantando e empilhando caixas e outros separando mercadorias ao longo de uma linha de montagem. Em conjunto, eles demonstraram um processo completo de logística inteligente — desde o manuseio de materiais até a separação e o reabastecimento.
Essa cena, apresentada pela fabricante de robôs humanoides UBTECH na Conferência Mundial de Robôs 2026 (WRC, em inglês) em Beijing, transmite uma mensagem: os robôs estão evoluindo rapidamente de meras peças de exposição para aplicações no mundo real.
A conferência, que ocorre de quarta-feira a domingo, atraiu mais de 300 expositores de 26 países, com mais de 3 mil produtos em exibição, incluindo mais de 300 estreias.
Na área de exposição da Galaxea, os visitantes digitalizaram um código QR para pedir uma garrafa de água. Um robô navegou de forma autônoma pelo armazém para pegar e embalar a água em pouco mais de um minuto, contando exclusivamente com o reconhecimento baseado em modelos. Esse sistema já está em operação em Beijing e outras cidades.
“A solução pode resolver os problemas de mão de obra noturna nos armazéns”, disse Luo Tianqi, diretor financeiro da Galaxea. “Os volumes de pedidos noturnos não são enormes, mas ainda assim exigem pessoal no turno da noite. Substituí-los por robôs é economicamente viável.”
O setor de robôs humanoides da China está entrando em uma fase crítica de comercialização e implantação em larga escala, à medida que produtos com inteligência incorporada passam de testes em pequenos lotes para uma adoção mais ampla, afirmou Xu Xiaolan, presidente do Instituto Chinês de Eletrônica, na WRC 2026.
Cerca de 10 grandes montadoras, incluindo a BYD e a SAIC, já estão testando sistemas de inteligência incorporada em linhas de produção para tarefas como manuseio de materiais e carregamento de peças. Robôs com inteligência incorporada também estão operando em espaços confinados e de alto risco para alívio de desastres, resposta a enchentes e inspeções industriais perigosas, de acordo com Xu.
Wang Xingxing, fundador e CEO da Unitree Robotics, observou na conferência que os robôs da empresa já estão sendo testando em linhas de montagem de automóveis e em suas próprias fábricas, com a pesquisa em IA (inteligência artificial) focada na melhoria de sua capacidade de realizar tarefas práticas em casas e ambientes industriais.
Na quarta-feira, a empresa, com sede em Hangzhou, se tornou a primeira fabricante de robôs humanoides com capital aberto no mercado acionário da parte continental da China, marcando um passo significativo para o setor de robôs humanoides do país.
A conferência deste ano também enfatizou a colaboração na cadeia industrial. A WRC reúne desenvolvedores de algoritmos de IA, fornecedores de visão 3D e baterias, fabricantes de robôs e usuários finais para facilitar a cooperação e reduzir os ciclos de P&D e iteração.
Segundo o Ministério da Indústria e Informatização, a receita do setor de robótica da China ultrapassou 300 bilhões de yuans (US$ 44,24 bilhões) em 2025, com um crescimento médio anual superior a 20% nos últimos cinco anos. Nos primeiro semestre de 2026, a receita atingiu 165,5 bilhões de yuans, subindo 24,5% em termos anuais.
Os robôs chineses demonstraram sua proeza tecnológica por meio de feitos impressionantes, desde artes marciais até maratonas. Enquanto isso, a China está redobrando seus esforços para expandir as aplicações dos robôs no mundo real, apesar das previsões de que o “momento GPT” do setor ainda está a anos de distância.
Em todo o país, a China já construiu mais de 70 bases de treinamento de inteligência incorporada até junho, com outras 46 sob construção ou em fase de planejamento, de acordo com um relatório da Academia Chinesa de Tecnologia da Informação e Comunicação.
O setor tem se beneficiado de uma estratégia nacional favorável. O conceito de “inteligência incorporada” foi mencionado pela primeira vez no relatório de trabalho do governo da China em 2025. O 15º Plano Quinquenal da China prevê um planejamento voltado para o futuro das indústrias futuras, incluindo a IA incorporada, bem como mecanismos para impulsionar o financiamento e compartilhar riscos nesses setores emergentes.
Wang indicou que “um momento ChatGPT na inteligência incorporada” chegará quando os robôs puderem ser colocados em ambientes desconhecidos e realizar a maioria das tarefas por meio de comandos simples de voz ou texto. Ele espera que tal avanço possa ocorrer dentro de dois a três anos, em um cenário otimista, ou dentro de cinco a dez anos, no máximo.