China transforma sorgo brasileiro em novo produto de destaque nas exportações agrícolas

China continua comprometida em permitir que mercado desempenhe papel decisivo na determinação da taxa de câmbio, diz banco central
A canadense Anne Carson conquista o Prêmio Nobel de Literatura de 2026

China transforma sorgo brasileiro em novo produto de destaque nas exportações agrícolas

Rio de Janeiro – A China está transformando o sorgo brasileiro em um dos novos protagonistas do comércio agrícola entre os dois países, com uma demanda que impulsionou as exportações do cereal e está estimulando novas rotas ferroviárias e portuárias para levar a produção brasileira ao mercado asiático.

Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou 231.200 toneladas de sorgo, sendo que a China absorveu 196.050 toneladas, cerca de 85% do total, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior. Apenas em agosto, as exportações brasileiras atingiram um recorde mensal de cerca de 196.000 toneladas.

As perspectivas apontam para um salto ainda maior. O Brasil poderá exportar até 2 milhões de toneladas de sorgo este ano, em um mercado no qual a China concentra mais de 80% das importações mundiais.

“Quando a China entra em um mercado, ela é capaz de impulsionar toda uma cadeia”, explicou Carolina Antunes, diretora executiva Comercial, de Projetos e Planejamento Estratégico da empresa de logística VLI, que prevê transportar entre 800 mil e 1 milhão de toneladas de sorgo em 2026.

O impacto dessa nova demanda já vai muito além das propriedades agrícolas e está transformando a logística brasileira. Em setembro, foi realizado o primeiro embarque ferroviário de sorgo brasileiro com destino à China através do porto de Tubarão, em Vitória, no Espírito Santo.

Até setembro, a VLI havia transportado mais de 250 mil toneladas de sorgo, incluindo cerca de 160 mil toneladas via Tubarão e 90 mil toneladas pelo porto de Santos. A empresa também incorporou o corredor norte, conectando as regiões produtoras de Matopiba ao porto de Itaqui, no Maranhão.

“Quando vimos que a China teria essa demanda e que o Brasil tinha uma boa janela de embarque, decidimos criar uma solução logística”, explicou Antunes.

A expansão do comércio coincide com um momento de forte crescimento da produção brasileira. A safra de sorgo está projetada em cerca de 7,35 milhões de toneladas, 20,4% a mais que a safra anterior, enquanto a área cultivada atingiu aproximadamente 2,17 milhões de hectares.

Goiás lidera a produção nacional, com 34,5% do total, seguido por Minas Gerais, com 28,7%. O cereal ganha atratividade entre os produtores por sua resistência e por exigir menos água e fertilizantes em comparação ao milho — características especialmente relevantes para ampliar a produção agrícola em diferentes regiões do país.

O crescimento do comércio com a China é, além disso, recente. O Brasil e a China assinaram, em novembro de 2024, o protocolo fitossanitário que abriu formalmente o mercado chinês para o sorgo brasileiro. Em novembro de 2025, os primeiros estabelecimentos brasileiros foram autorizados a realizar exportações.

Desde então, o cereal passou rapidamente de uma posição secundária na pauta exportadora brasileira para se tornar um produto com perspectivas de expansão internacional.

“Vemos com bons olhos o fato de o Brasil estar crescendo neste mercado e de o sorgo brasileiro estar conquistando novos destinos”, afirmou Antunes, que também destacou o crescimento das vendas para países africanos.

O fenômeno reflete a crescente diversificação do comércio agroalimentar entre Brasil e China. À relação tradicional baseada em soja, carne, milho e outros produtos agrícolas, soma-se agora um cereal cuja produção brasileira encontra no enorme mercado chinês um novo motor de crescimento.

Para o Brasil, a expansão do sorgo representa uma oportunidade de ampliar a oferta exportadora e aproveitar melhor as regiões agrícolas em expansão.

Para a China, isso significa incorporar um grande produtor agrícola mundial como fornecedor de um cereal estratégico para sua indústria de alimentação animal e para a produção de baijiu (bebida alcoólica destilada tradicional e mais consumida na China, cujo nome significa literalmente “álcool branco” ou “aguardente branca”).

A rápida expansão dos embarques demonstra, assim, como a demanda chinesa está gerando novas oportunidades para o campo brasileiro e abrindo um novo capítulo na crescente integração das cadeias agroalimentares de ambos os países.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *