

Beijing – Com o início de 2026, a economia global se tornou cada vez mais moldada por ajustes estruturais, e as relações entre a China e a América Latina oferecem um exemplo revelador sobre como as economias do Sul Global navegam num mundo de desafios, e assim construindo um futuro compartilhado, disse Alessandro Golombiewski Teixeira, professor visitante distinto da Universidade Tsinghua e professor visitante da Universidade Chinesa de Hong Kong (Shenzhen), num artigo publicado recentemente no jornal China Daily.
Segundo Teixeira, a escalada das guerras comerciais, a armamentização das finanças internacionais e o aumento do uso de sanções, controles financeiros e acesso aos mercados de capitais como instrumentos de concorrência estratégica elevaram a volatilidade e a incerteza para as economias emergentes e em desenvolvimento, o que limita as perspectivas de desenvolvimento do Sul Global.
Neste contexto, as relações entre a China e a América Latina oferecem um exemplo revelador sobre como as economias do Sul Global navegam por meio de um crescimento mais lento, rivalidade estratégica e padrões de globalização em mudança, observou Teixeira, também ex-ministro do Turismo do Brasil.
Na sua opinião, a China entra em 2026 em meio a esforços para alcançar a modernização ao estilo chinês, com políticas firmemente orientadas para um desenvolvimento de alta qualidade. Internamente, o crescimento é cada vez mais impulsionado pela inovação, indústrias emergentes estratégicas e integração dos setores digitais e tradicionais, enquanto a manufatura está sendo atualizada para cadeias de valor mais altas.
Externamente, o país está aprofundando seu envolvimento com o Sul Global, promovendo uma abertura de alto padrão, melhorando a conectividade e fomentando parcerias que apoiam o desenvolvimento comum e a prosperidade a longo prazo de uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade.
Hoje, a América Latina enfrenta perspectivas de crescimento modestas, limitadas por persistentes lacunas de produtividade, déficits de infraestrutura e pressões fiscais. No entanto, espera-se que a cooperação com a China continue sendo robusta e cada vez mais seletiva, afirmou Teixeira.
O comércio e o investimento permanecem em setores-chave, com as commodities — incluindo produtos agrícolas, minerais e energia — ficando no núcleo, mas a diversificação está surgindo em novas indústrias, como alimentos processados, tecnologia agrícola, manufatura selecionada e serviços.
A América Latina passou a ser uma fornecedora vital de matérias-primas e recursos que sustentam os setores de produção industrial e manufatura da China, enfatizou Teixeira.
Cerca de 77% das exportações de cobre do Chile foram para a China, enquanto o lítio argentino e boliviano — essencial para a produção de baterias — representa uma parcela crescente do suprimento global do “triângulo do lítio”, que detém cerca de 40% das reservas globais, informou Teixeira, acrescentando que as exportações de soja do Brasil para a China subiram para US$ 50 bilhões em 2025, respondendo por mais de 70% de suas remessas totais de soja.
Segundo ele, o investimento estrangeiro direto chinês mudou de megaprojetos para empreendimentos direcionados. Os investimentos chineses apoiam projetos de energia renovável, desenvolvimento de infraestrutura e produção local de veículos elétricos, tanto para o consumo interno quanto para os mercados de exportação
Teixeira ressaltou que o envolvimento da China oferece à América Latina oportunidades para garantir investimentos de longo prazo, cooperação tecnológica e acesso ao mercado. A estabilidade política, a consistência regulatória e políticas internas estáveis melhorarão a eficácia dessa cooperação, permitindo investimentos mutuamente benéficos, expansão comercial e crescimento sustentável, acrescentou.
Olhando para o futuro, a relação China-América Latina em 2026 oferece uma plataforma para a transformação. Um envolvimento pragmático e estrategicamente focado pode ajudar a região a diversificar as economias, fortalecer as cadeias de valor e aumentar a produtividade, explicou Teixeira.
(251227) -- SHENZHEN, Dec. 27, 2025 (Xinhua) -- A robot distributes gifts to visitors during a robot skills competition in Shenzhen, south China's Guangdong Province, Dec. 27, 2025. The robot skills competition kicked off here on Friday and will last till Dec. 30, 2025. Over 100 teams participate in robot application matches ranging from industrial manufacturing, healthcare to emergency rescue scenarios. (Xinhua/Wang Feng)