

Rio de Janeiro – O Brasil se tornou o maior importador mundial de carros chineses, com compras de US$ 5,2 bilhões entre janeiro e maio, alta de 146,9% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal Valor Econômico.
De acordo com dados da alfândega chinesa citados pelo jornal, o Brasil superou a Rússia, que importou US$ 5 bilhões, e a Bélgica, com US$ 3,8 bilhões. No mesmo período do ano passado, o país ocupava a sexta posição, com compras de US$ 2,1 bilhões.
O movimento foi liderado pelos veículos eletrificados, incluindo modelos totalmente elétricos e híbridos, cujas importações somaram US$ 4,5 bilhões nos primeiros cinco meses do ano. A participação dessa categoria nas importações brasileiras de veículos chineses passou de 33% em 2021 para 87% em 2025.
Analistas consultados pelo Valor Econômico atribuíram o aumento à política de exportação da China, à crescente aceitação dos veículos eletrificados entre os consumidores brasileiros e à antecipação das compras antes da elevação das tarifas brasileiras de importação para 35% em julho.
De janeiro a junho, foram vendidos 215.023 veículos leves eletrificados no Brasil, alta de 125% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) citados pelo jornal.
O crescimento foi seis vezes superior ao do mercado automotivo como um todo, que avançou 19,4% no mesmo período, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A participação dos veículos eletrificados nas vendas internas chegou a 18% em junho, ante 7,7% um ano antes.
Pelo menos oito marcas chinesas já produzem ou anunciaram planos de produzir no Brasil, seja em fábricas próprias ou por meio de alianças com fabricantes instalados no país, segundo a reportagem.
Os analistas consultados avaliaram que o movimento é estrutural e que a indústria automotiva chinesa assumiu a liderança no segmento de veículos eletrificados, superando montadoras tradicionais dos Estados Unidos, da Europa e de outras regiões da Ásia.