

Rio de Janeiro – O Brasil deve aprender com a experiência da China para aproveitar a janela de oportunidade aberta pelo setor de minerais críticos e avançar rumo a cadeias industriais de maior valor agregado, disse um especialista brasileiro no evento “Minerais Críticos: Agenda 2030”, organizado pela Associação de Minerais Críticos (AMC) e realizado nesta quarta-feira em São Paulo.
O consultor internacional sênior, Otávio Carvalheira, afirmou no seminário que o Brasil precisa aprender com o modelo adotado na China, uma vez que essa abordagem contribuiu para a melhoria da qualidade de vida da população chinesa.
Carvalheira, também ex-presidente da Alcoa Brasil, subsidiária da produtora global de alumínio Alcoa, destacou que, entre as principais lições da experiência chinesa, estão a agilidade na execução de políticas e a capacidade do país asiático de implementar seus planejamentos estratégicos.
Segundo o consultor, o Brasil deve adaptar essas lições às suas próprias condições e marcos legais, políticos e econômicos, de modo a não perder as oportunidades que o cenário internacional atual oferece para o desenvolvimento do setor de minerais críticos.
Ele elogiou a recente promulgação da Lei de Minerais Críticos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, destacando que o Brasil possui a segunda maior reserva comprovada de minerais críticos do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas.
De acordo com Carvalheira, a disponibilidade de recursos naturais por si só não garante competitividade nas novas cadeias industriais vinculadas à transição energética global.
Nesse sentido, ele defendeu novas regulamentações, focadas no longo prazo e na construção de um ambiente de negócios para uma política industrial brasileira, capaz de atrair investimentos nacionais e estrangeiros.
Carvalheira lembrou que o Brasil já consolidou essa experiência por meio da indústria de alumínio, ao não se limitar à abertura de minas, mas estruturar uma cadeia de valor integrada. Essa trajetória permitiu ao país desenvolver diferentes etapas produtivas do setor, incluindo processamento e reciclagem de materiais.
O especialista brasileiro apontou cinco pilares para a indústria de minerais críticos, fundamentais para a ciência e a tecnologia do século XXI, que são papel do Estado e segurança jurídica; tecnologia e indústria; capital; sustentabilidade; e conexão global.