
Lanzhou – “A acupuntura e a medicina tradicional chinesa me ajudaram durante um período difícil da minha gravidez e a ter um parto tranquilo. Desde então, me interessei pela medicina chinesa. Mais tarde, devido a problemas como dores nas costas, decidi estudar medicina chinesa por conta própria.” Isabella Moreira Fontenele Gusmao é uma experiente nutricionista do Brasil e agora tem uma nova área de estudo: a medicina tradicional chinesa (MTC). Para isso, ela veio do outro lado do mundo até a China, em busca de um aprendizado mais aprofundado e sistemático sobre a MTC.
De 23 a 27 de março deste ano, Isabella e outros 13 alunos do curso de aperfeiçoamento em MTC do Brasil realizaram uma semana de estudos no Hospital Afiliado da Universidade de Medicina Tradicional Chinesa de Gansu. A maioria dos membros da equipe são médicos brasileiros em áreas da saúde, atuando em biomedicina, fisioterapia, nutrição, entre outras. Este é o terceiro grupo de profissionais brasileiros recebido pelo hospital para o aperfeiçoamento em MTC.
Localizada no noroeste da China, a Província de Gansu é um dos berços importantes da cultura da MTC e também uma das principais regiões produtoras de matérias-primas de medicamentos chineses, possuindo recursos únicos e uma rica herança cultural na área.
Desde 2019, quando o Hospital Afiliado da Universidade de Medicina Tradicional Chinesa de Gansu e a empresa brasileira Taimin estabeleceram em conjunto o Centro de Medicina Tradicional Chinesa China-Brasil, já foram realizadas três edições de atividades da Semana da Cultura da MTC, com mais de 50 profissionais brasileiros de MTC capacitados.
Além disso, diversos profissionais de saúde do hospital já viajaram para o Brasil para atender mais de 4 mil pacientes, realizando mais de 40 edições de treinamento e formando mais de 1.200 profissionais locais em MTC. Wu Bing, secretário do Comitê do Partido Comunista da China do hospital, assinalou que a acupuntura, a massagem terapêutica e os medicamentos chineses estão gradualmente se integrando à vida saudável da população brasileira. “Também esperamos usar o curso de aperfeiçoamento como um elo, aprofundando ainda mais a cooperação entre os dois países em áreas de medicina tradicional, formação de talentos e pesquisa clínica, para que a MTC possa melhor beneficiar a população mundial”, disse Wu.
Isabella, que tem 30 anos de experiência como nutricionista, contou que está cursando uma pós-graduação em MTC. “Quero integrar a nutrição e a MTC para melhorar a eficácia dos meus atendimentos no Brasil.”
No departamento de pediatria do hospital, Isabella observou médicos chineses realizando massagem nas mãos de uma menina franzina. Ao saber que essa técnica pode fortalecer a capacidade digestiva e de absorção das crianças, auxiliando no seu desenvolvimento físico, ela ficou maravilhada.
“Esta é a minha primeira vez na China, e com certeza voltarei. Aqui é um país com uma cultura esplêndida, apaixonei-me pela China”, disse ela.
Para este curso de aperfeiçoamento, o hospital formou uma equipe de especialistas que, por meio de uma combinação de aulas teóricas, práticas clínicas e experiências culturais, abordaram teoria da MTC, diagnósticos e tratamentos característicos, entre outros. O objetivo foi apresentar de forma abrangente o sistema teórico e as técnicas diagnósticas e terapêuticas distintas da MTC aos brasileiros, transmitindo as técnicas mais práticas e características.
A participante brasileira, Luísa Rodrigues Cunha, disse que o aprendizado na China lhe permitiu conhecer muitas técnicas diferentes, além de novas maneiras de analisar a doença e observar o estado mental. “Esses métodos de tratamento e o modo de vida de vocês são maravilhosos. Temos muito o que fazer e aprender com vocês.”
Luiz Gustavo Mesquita Lima, diretor da Escola Nacional de Acupuntura do Brasil, é o líder deste curso. Há mais de dez anos, ele veio à China pela primeira vez para estudar MTC e, desde então, desenvolveu uma conexão profunda com a MTC. Ao retornar ao Brasil, tornou-se acupunturista e promove a cultura da MTC, combinando ensino e atendimento clínico. Esta é sua quarta vinda à China.
Ele afirmou que cada vinda à China lhe traz aprendizados diferentes. A MTC o transformou profundamente, e ele se esforça para transmitir ao Brasil seus aprendizados na China. “Precisamos aprimorar a medicina tradicional chinesa em nosso país para tratar mais pacientes. É por isso que tento vir todos os anos. Só assim, poderei aprender mais sobre a MTC e tratar e ajudar mais pessoas.”