
Rio de Janeiro – A cerimônia de abertura da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15) foi realizada nesta segunda-feira em Campo Grande, capital do estado brasileiro de Mato Grosso do Sul, marcada por uma forte ênfase na diversidade cultural, na cooperação internacional e na necessidade urgente de proteger a biodiversidade global.
A cerimônia de abertura reuniu autoridades governamentais, representantes de organizações internacionais, cientistas, organizações da sociedade civil e comunidades tradicionais, em um evento que destacou o caráter inclusivo do encontro e seu alcance global.
A ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil, Marina Silva, abriu a conferência com um discurso no qual enfatizou a necessidade de ação conjunta entre os países para enfrentar os desafios ambientais. Segundo ela, a cooperação internacional é fundamental para conciliar o desenvolvimento econômico com a conservação da natureza e para avançar em questões como conectividade ecológica e mudanças climáticas.
“É possível gerar riqueza sem destruir o patrimônio natural que nos sustenta, promovendo assim um novo ciclo de prosperidade”, afirmou a ministra durante a abertura, transmitindo uma mensagem de otimismo sobre a possibilidade de construir um novo ciclo de prosperidade sustentável.
A cerimônia também foi marcada pela participação ativa de povos indígenas e comunidades tradicionais, considerados atores fundamentais na preservação dos ecossistemas. Membros do povo Terena apresentaram a Dança Tradicional da Ema, enquanto representantes de comunidades quilombolas destacaram a importância de garantir seus territórios para proteger biomas como o Pantanal.
Enquanto isso, líderes internacionais alertaram sobre o declínio da fauna migratória. A secretária-executiva da convenção, Amy Fraenkel, observou que aproximadamente 49% das espécies protegidas têm populações em declínio, embora tenha destacado avanços específicos resultantes de políticas de conservação e áreas protegidas bem administradas.
Após a cerimônia de abertura, João Paulo Capobianco, secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente do Brasil, foi eleito por unanimidade presidente da COP15. A primeira sessão plenária também aprovou a agenda do evento, que inclui mais de 100 tópicos a serem discutidos até 29 de março, o que foi considerado um início positivo para as negociações.
A COP15, organizada sob o tema do fortalecimento da conexão entre natureza e desenvolvimento sustentável, reúne representantes de mais de 100 países e coloca o Pantanal brasileiro no centro das discussões globais sobre biodiversidade e proteção de espécies migratórias.
A conferência prosseguirá ao longo da semana com o objetivo de avançar nos compromissos internacionais para deter a perda de biodiversidade e fortalecer a cooperação entre governos e sociedades em prol da conservação ambiental.