Amizade verdadeira não se mede pela distância: China e Brasil lançam Ano Cultural para aproximar os povos

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Amizade verdadeira não se mede pela distância: China e Brasil lançam Ano Cultural para aproximar os povos

Por Bi Yuming e Wang Yifan

Beijing – China e Brasil lançaram nesta quinta-feira o Ano Cultural 2026 entre os dois países, o primeiro do tipo nas relações bilaterais que duram há mais de meio século, apresentando uma abundância de eventos culturais que visam melhorar o entendimento e fortalecer a amizade entre seus povos.

Num comunicado conjunto divulgado no mesmo dia, os dois países declararam que o Ano Cultural China-Brasil 2026, uma iniciativa apresentada em 2024 numa declaração conjunta bilateral, irá fortalecer ainda mais os laços culturais, promover intercâmbios e mostrar a diversidade e a criatividade das culturas de ambas as nações.

Segundo o documento, será realizada uma variedade de atividades, incluindo espetáculos cênicos, artes visuais, música, patrimônio cultural imaterial, artes audiovisuais, diversidade cultural, intercâmbio juvenil, capacitação de talentos, turismo e projetos inovadores, com o objetivo de aprofundar o entendimento e aumentar a conectividade entre os povos dos dois países.

Entre os eventos culturais em andamento e a ser lançados, estão uma exposição de caligrafia e pintura artística aberta nesta quarta-feira no Rio de Janeiro e a estreia do filme brasileiro Agente Secreto nesta sexta-feira nas telas chinesas, além do concerto do pianista brasileiro Cristian Budu em Beijing e, em Brasília, um concerto da Orquestra Sinfônica Nacional da China (CNSO, em inglês), no mês que vem.

“Música é uma linguagem sem fronteira para toda a humanidade”, disse Yao Liang, Associate Concertmaster da CNSO, em uma entrevista exclusiva à Xinhua antes de viajar ao Brasil, onde já esteve em 2024. Para ele, é uma grande honra participar dos eventos do Ano Cultural China-Brasil. “O Ano Cultural tem um significado profundo. Os intercâmbios culturais podem aproximar populações de todo o mundo para se conhecerem e entenderem melhor, e dessa forma se sentirem viver numa aldeia global desfrutando da fusão das culturas do ser humano”, disse Yao.

Fã dos craques brasileiros como Ronaldo Fenômeno e Roberto Carlos, Yao visitou o Brasil em 2024 num programa de intercâmbio cultural e apresentou concertos em várias cidades brasileiras. “A liberdade, abertura, descontração e a sensação de moda da cultura brasileira me cativaram”, disse Yao, elogiando também a bela paisagem em Petrópolis e os arquitetos em Brasília. “Além de futebol, naquela viagem conheci mais sobre o Brasil, um país tão remoto da China.”

Segundo Yao, para os concertos neste ano, nas cidades de Brasília, Fortaleza e Natal, foi com muita atenção a escolha de repertórios, que abrangem peças chinesas A Lenda da Borboleta, Vento Sereno, Nuvens e Lua (Clear Clouds and Moonlight, em inglês), músicas das minorias étnicas da China e músicas clássicas de Haydn e Mozart. Yao interpretará “A Lenda da Borboleta” em um solo de violino.

“Gostaríamos de mostrar ao público brasileiro a beleza, a elegância e a riqueza diversa da cultura chinesa, assim como nosso desenvolvimento de música clássica”, disse Yao, acrescentando que em 2024 o público brasileiro reagiu de forma muito positiva com a orquestra chinesa e entendeu verdadeiramente as peças que interpretou. “Que eles possam sentir a maravilhosa riqueza da música chinesa”, disse Yao.

No entender dele, as duas visitas ao Brasil são uma demonstração da amizade duradoura entre os dois povos. “Gostaríamos de transmitir à população brasileira nossos bons votos e amizade, e contar as histórias chinesas com a música”, disse.

Antes dos eventos mencionados, o público brasileiro já recebeu nos primeiros meses deste ano música, danças, canções e filmes chineses como prelúdio do Ano Cultural, e terá as visitas da Companhia Nacional de Ópera de Beijing em maio e a de uma equipe do Museu Nacional da China em junho, segundo fontes oficiais.

Na China, depois dos primeiros eventos já realizados – incluindo diálogos de literatura e exibição de filmes sobre Amazônia -, o público chinês poderá conhecer ainda mais uma visão ampla da cultura brasileira. De acordo com Bárbara Policeno, chefe do Departamento Cultural da Embaixada do Brasil na China, está sendo preparando uma programação que inclui artes visuais, música, cinema, literatura e debates acadêmicos, com a participação de artistas e instituições de grande relevância no Brasil.

“Nosso objetivo é mostrar a diversidade e a vitalidade da cultura brasileira. O Brasil é um país plural, resultado do encontro de muitas influências culturais, e isso se reflete na sua produção artística”, disse Policeno, acrescentando que se espera que o público chinês possa perceber essa riqueza, além de encontrar pontos de conexão entre as culturas dos dois países – seja na valorização da criatividade, da tradição ou do diálogo entre o passado e o presente.

Elogiando a continuidade histórica e o profundo respeito pela tradição na cultura chinesa, Policeno assinalou que o Ano Cultural tem um significado muito especial porque coloca as pessoas no centro da relação bilateral. “Brasil e China já têm uma parceria sólida em áreas como comércio e cooperação política, mas a cultura permite aprofundar esse vínculo de maneira mais humana e duradoura”, disse.

Na opinião dela, o Ano Cultural cria espaços de diálogo direto entre as sociedades dos dois países, o que fortalece o conhecimento mútuo e contribui para que brasileiros e chineses se vejam não apenas como parceiros econômicos, mas também como interlocutores culturais.

Nos anos recentes, cada vez mais brasileiros celebram o Ano Novo Chinês e aprendem o mandarim. No estado do Rio de Janeiro e nas cidades de Recife e Foz do Iguaçu, o festival chinês já foi definido como feriado oficial. Em São Paulo e no Belo Horizonte, são realizadas todos os anos celebrações da Festa da Primavera. Em fevereiro, o Brasil, país que possui o maior número do Instituto Confúcio na América Latina, lançou seu primeiro curso de graduação em língua e cultura chinesas na Universidade Estadual Paulista (Unesp) para recrutar neste ano 40 estudantes, que também terão oportunidade de estudar na China, onde cada vez mais pessoas conhecem Bossa Nova, capoeira e chimarrão, além de samba e futebol do país sul-americano.

Para Bárbara Policeno, os intercâmbios culturais têm um papel fundamental para o mundo de hoje, “um mundo cada vez mais interconectado, mas também marcado por tensões e incompreensões”. “A cultura nos permite compreender melhor a forma como outras sociedades pensam, criam e interpretam o mundo, e esse processo de conhecimento mútuo ajuda a construir respeito e empatia entre os povos. A cooperação cultural contribui para aproximar sociedades e criar bases mais sólidas para a cooperação internacional”, disse.

A China e o Brasil são, respectivamente, o maior país do Sul no hemisfério oriental e no hemisfério ocidental. Nos olhos de Zhou Zhiwei, diretor-executivo do centro de estudos brasileiros e diretor do departamento de relações internacionais, ligados ao Instituto da América Latina da Academia Chinesa de Ciências Sociais, os intercâmbios culturais e interpessoais entre os dois países constituem um microcosmo importante do processo de intercâmbio e cooperação cultural do Sul Global.

“A China e o Brasil devem promover o tratamento de igualdade e o respeito mútuo entre as culturas de todos os países, assumindo a responsabilidade como as principais potências do Sul Global, especialmente no combate à noção de superioridade da civilização ocidental. Os dois países devem promover conjuntamente o diálogo e o intercâmbio em pé de igualdade entre as civilizações globais, permitindo uma melhor integração entre as diversas civilizações, a fim de construir coletivamente uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade”, disse Zhou.

Quanto ao futuro, Zhou acredita que os intercâmbios culturais podem melhorar o entendimento entre os jovens, o que pode consolidar as bases para o desenvolvimento das relações bilaterais no futuro.

A geração jovem dos dois países tem uma visão de um mundo melhor, e existe espaço para diálogo entre os jovens dos dois países. Esse diálogo pode infundir mais dinamismo e impulso no desenvolvimento das relações bilaterais e representa uma direção muito importante para o futuro dessas relações, disse Zhou.

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