Ex-presidente brasileiro Temer diz que na luta contra COVID-19 o mais importante é preservar a vida

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Ex-presidente brasileiro Temer diz que na luta contra COVID-19 o mais importante é preservar a vida

Ex-presidente brasileiro Michel Temer concede entrevista exclusiva para a Agência Xinhua em 25 de março de 2021. (Xinhua)

Rio de Janeiro, 20 abr (Xinhua) — O ex-presidente brasileiro Michel Temer (2016-2018) disse em uma entrevista exclusiva à Xinhua que o importante agora na luta contra a doença do novo coronavírus (COVID-19) é privilegiar a vida, embora isso não signifique esquecer a economia.

“É preciso investir na preservação da vida e, ao mesmo tempo, controlar a abertura de eventuais empresas e atividades, ainda que com restrições, para não paralisar a economia”, disse Temer sobre a situação atual do Brasil, uma dos países mais afetados pela COVID-19, com mais de 375 mill mortes e mais de 14 milhões de casos.

Segundo ele, “aquilo que se coloca em pauta é o seguinte: você tem um aparente conflito entre vida e economia e nós não devemos alimentar esse conflito porque é claro que a economia também é vida. Então você precisa ter meios e modos de não impedir por inteiro a ação econômica do país, as empresas, porque elas que sustentam o emprego, mas, ao mesmo tempo, tem que privilegiar a vida”.

“A vida vai embora e não volta mais. A economia tem problemas, mas se recupera. Eu costumo dar exemplo com o meu governo. Eu assumi (a presidência) em maio de 2016. Havia um Produto Interno Bruto (PIB) negativo de quase 4%. Um ano e seis meses depois tínhamos um PIB positivo de 1,3%. É preciso investir tanto quanto seja possível na proteção dos mais vulneráveis”, destacou.

Nesse sentido, Temer disse que “é preciso investir o máximo possível na proteção dos mais vulneráveis, temos que prevenir a fome que existe agora no Brasil. São 18 ou 19 milhões de pessoas que, se não têm ajuda do Estado, começam a passar fome”.

Regime “semipresidencialista”

Ex-presidente brasileiro Michel Temer concede entrevista exclusiva para a Agência Xinhua em 25 de março de 2021. (Xinhua)

 

Aos 80 anos e aposentado da vida política, Temer falou também sobre a situação política brasileira, da qual defendeu a mudança do sistema presidencialista atual para um regime “semipresidencialista”, com a introdução do primeiro-ministro, seguindo o exemplo de países como Portugal e França.

“Temos que mudar o regime presidencialista para um regime semipresidencialista, um sistema em que o presidente da República tenha funções relevantes, sendo o chefe das Forças Armadas, da diplomacia, tendo o direito de sancionar e vetar os projetos, e nomear o primeiro-ministro, que vai comandar a administração pública interna do país”, comentou.

Ele disse que, durante seu mandato, “adotei esse método, trouxe o Legislativo para governar comigo. Não só porque eu queria, mas porque a própria Constituição o determina: se não há maioria parlamentar, não se governa, e no presidencialismo é igual”.

Neste “semiparlamentarismo ou semipresidencialismo, o presidente também governa, tem funções, algo semelhante ao sistema português ou francês. Tem a vantagem de que, se o governo cair, se recompõe sem traumas para o país. Também divide a atividade executiva com o Legislativo. Se for para apontar reclamação ou erro da administração, não cabe apenas ao Executivo, mas também ao Legislativo, que também terá função executiva. Para mim, essa seria a grande reforma que teríamos que fazer, e depois ver o sistema eleitoral”.

Quanto a introduzir essa mudança no sistema de governança brasileiro, afirmou: “Não estou propondo para (as eleições de) 2022, mas para 2026 acho que seria útil para o Brasil”.

Tratando das eleições do próximo ano, Temer pediu que se concentre agora no combate à pandemia e que se deixem os debates políticos para o segundo semestre de 2022.

“Ainda estamos muito longe das eleições de 2022. Os candidatos serão lançados em agosto do próximo ano. Não acho bom trazer 2022 para 2021, onde já temos um problema gravíssimo, a pandemia de um lado e a economia do outro. Temos que nos dedicar a 2021, sempre crítico essa coisa de trazer a questão eleitoral de 2022 para 2021”, disse.

“Peço união, entre todos, para ver como vamos combater a pandemia juntos e recuperar a economia. O povo agora não quer saber quem será eleito no ano que vem, quer saber como vai ter o pão na mesa e temos que cuidar disso”, concluiu.

 

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